Concepções de valor social segundo os beneficiários : pesquisa fenomenográfica no campo do empreendedorismo social

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Tipo
Tese
Data
2022-02-17
Autores
Chumbo, Rafaela Andrade Nascimento
Orientador
Brunstein, Janette
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Membros da banca
Hanashiro, Darcy Mitiko Mori
Teixeira, Maria Luisa Mendes
Pinto, Sandra Regina da Rocha
Comini, Graziella Maria
Programa
Administração de Empresas
Resumo
No Brasil a desigualdade social é grave e estamos entre os 10 países mais desiguais do mundo. É nesse contexto de debilidades que observamos empreendedores buscando por soluções para as diferentes demandas sociais. Fundam organizações com objetivos híbridos e tentam equilibrá-los, recorrendo, por vezes, a investimentos de risco a fim de manterem suas atividades sociais. Algumas dessas empresas sociais atuam no ramo de microfinanças, na oferta de microcrédito, criado para ajudar um indivíduo pobre a apoiar seu pequeno negócio gerador de renda. Os empreendedores sociais buscam criar, assim, valor social (VS). Mas do que se trata VS? Para responder à pergunta, realizamos uma revisão de literatura, analisando artigos científicos internacionais e nacionais, constatando que a maior parte dessas pesquisas não conceituam VS e algumas abordam-no como impacto social. Poucos dos estudos empíricos ouviram os beneficiários. Notamos uma lacuna a ser preenchida sobre valor/impacto social, e resgatamos o conceito de VS de Thomas e Znaniecki, da tradição interacionista simbólica, os quais entendem valor social como algo extrasubjetivo, concreto ou abstrato, que tem significado para um grupo social à medida que o experienciam e lhe atribuem finalidade. Propomos inserir esse conceito no campo do ES de forma a ampliar a compreensão sobre valor/impacto social. Nosso objetivo foi analisar as variações nos modos de experienciar o microcrédito, enquanto um valor social, pelos beneficiários, em face dos objetivos sociais das organizações que ofertam esse recurso. Adotamos a ontologia relacional em uma perspectiva epistemológica interpretativa, empregando como estratégia de pesquisa a fenomenografia. Entrevistamos 30 tomadores de empréstimos pertencentes à carteira de clientes de uma empresa social que oferta microcrédito. Para tratamento e análise dos dados, seguimos a orientação fenomenográfica, que nos permitiu identificar duas categorias de descrição – Microcrédito como recurso para sobrevivência do negócio, e Microcrédito como recurso para florescimento do negócio, que revelaram dois modos qualitativamente distintos de experienciar o recurso. Igualmente identificamos três categorias de variação críticas – Finalidade do microcrédito, Resultado da utilização do microcrédito e Razão para continuar renovando, que caracterizam e diferenciam as duas categorias de descrição, evidenciando a relação inclusiva entre elas. Destacamos também duas categorias de variação não críticas - Sentimento na renovação, e consequência para o empreendimento caso o microcrédito deixe de existir, que se apresentaram de forma comum nas duas categorias de descrição. Entendemos que ambos os modos que os beneficiários experienciam o microcrédito fica aquém da finalidade do microcrédito em sua origem, bem como dos objetivos da empresa social, dado que há beneficiários que utilizam parte do recurso direto para vida pessoal/familiar e, beneficiários que não necessitam do empréstimo, mas têm o crédito aprovado. Somado a isso, temos a renovação que, habitualmente, não é realizada pelo agente de crédito no local da atividade e a ausência de orientação para aprimoramento da gestão do empreendimento pode levar ao mau uso do recurso e ao endividamento. São indícios que podem orientar o empreendedor (e investidores) da empresa social ofertante de microcrédito a revisitar decisões e ações de modo que o retorno social almejado seja percebido pelos beneficiários.
Descrição
Palavras-chave
organizações sociais , valor social , impacto social , microcrédito , fenomenografia
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