Perfil epidemiológico da mulher vítima de violência sexual atendida em um hospital de referência

Tipo
TCC
Data de publicação
2022
Periódico
Citações (Scopus)
Autores
Figueiredo, Mariana Caetano
Tobias, Mirella Junqueira
Orientador
Becker, Ermelino Franco
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Membros da banca
Programa
Resumo
Introdução: A violência sexual é um grave problema de saúde pública, pois fere a vítima de forma física e psicológica demandando uma equipe multidisciplinar para o atendimento, gerando alto custo para o sistema de saúde. Conhecer o perfil epidemiológico das vítimas é essencial para traçar medidas para prevenir ocorrências e amparar as que foram violentadas. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico das mulheres vítimas de violência sexual, bem como as circunstâncias do ato, o tipo de violência sofrida e os procedimentos realizados pela equipe médica. Métodos: Estudo retrospectivo analítico desenvolvido a partir da avaliação de fichas de notificação individual de violência interpessoal/autoprovocada de pacientes vítimas de violência sexual atendidas no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (Curitiba-PR), entre os anos de 2016 e 2019, incluindo mulheres acima de 12 anos e não portadoras de deficiências intelectuais. Resultados: Das 244 fichas avaliadas, 60,25% das vítimas estavam na faixa etária de 12 a 20 anos, 3,69% gestantes, 63,87% de cor branca, quanto a escolaridade, 40,87% estavam em nível de ensino fundamental incompleto, 77,97% declaravam-se solteiras, com 9,28% de vítimas com alguma deficiência, sendo o transtorno mental isolado em 40,91% destas. A imensa maioria dos casos (99,58%) ocorreu no Paraná, sendo Curitiba em 57,79%. Os períodos do dia em que mais ocorreu a violência foram madrugada e noite (57,37%), existindo uma relação significativa (p=0,0007) quanto ao horário da ocorrência em vítimas mais novas, mais violentadas no período da tarde e noturno, e das adultas, mais violentadas no período noturno e madrugada. Residência foi o local de acontecimento em 50,43% dos casos. A recorrência da agressão foi relatada em 23.42% dos casos, com relação significativa (p=0,00001) com a violência familiar. A força corporal/espancamento ocorreu em 51,83% das ocorrências. A violência extrafamiliar predominou, com 82,16% e o estupro isolado foi o mais recorrente, em 62,11% dos relatos. Adentrando no atendimento médico, 92,50% das vítimas foram atendidas em até 72 horas após a agressão e foram submetidas a coleta de sangue (81,97%) e sêmen (44,67%), receberam profilaxia para IST (74,59%), HIV (73,36%) e hepatite B (72,95%) e tiveram contracepção de emergência (65,98%), o aborto foi realizado em 2,05% dos casos, nenhum dos procedimentos médicos teve diferença significativa em relação a idade da paciente. As lesões mais encontradas foram contusão (29,27%) e corte/perfuração/laceração (28,05%), com órgãos sexuais os mais atingidos (67,42%). O autor da agressão na maioria das vezes foi único (73,76%), do sexo masculino (94,69%), com idade entre 25 e 59 anos (65,5%) e desconhecidos as vítimas (47,26%), houve uma relação significativa (p=00001) de vítimas menores de 16 anos e agressão por familiares. Conclusão: Predomina-se vítimas jovens, de cor branca, com baixa escolaridade e solteiras. Sobressai agressões ocorridas em residência, entre 18 e 6 horas. Força corporal/espancamento foi mais utilizado, com agressor único, do sexo masculino, adultos, desconhecidos as vítimas. O estupro foi o mais relatado. Os procedimentos profiláticos e periciais foram realizados em mais da metade dos casos, exceto a coleta de sêmen. O aborto foi realizado em 55,55% das vítimas em que foi constatado gravidez.
Descrição
Palavras-chave
saúde da mulher , violência sexual , perfil epidemiológico
Assuntos Scopus
Citação