A arquitetura e a necessidade de proteção: COVID-19 e percepções sobre o espaço doméstico do Copan
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Tipo
Tese
Data de publicação
2025-02-19
Periódico
Citações (Scopus)
Autores
Gaudencio, Mahayana Nava de Paiva
Orientador
Perrone, Rafael Antonio Cunha
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Membros da banca
Lima, Ana Gabriela Godinho
Regino, Aline Nassaralla
Luz, Vera Santana
Queiroz, Rodrigo Cristiano
Regino, Aline Nassaralla
Luz, Vera Santana
Queiroz, Rodrigo Cristiano
Programa
Arquitetura e Urbanismo
Resumo
Estudar os espaços domésticos significa explorá-los sob múltiplas perspectivas,
desde os aspectos arquitetônicos até os emocionais ligados ao “habitar”. Este
trabalho aborda estes espaços em suas diversas dimensões – casa, moradia,
habitação – por exemplo, considerando esses termos, por vezes, de forma
sinônima. A investigação compreende tanto a materialidade dos espaços, ou
seja, suas formas e funções arquitetônicas, quanto os aspectos culturais
associados ao morar, entendendo-o como uma expressão da relação entre as
pessoas e seus ambientes. Essa análise inclui a forma como os indivíduos
percebem seus espaços pessoais – o que chamam de casa, apartamento, ou
habitação –, considerando especialmente contextos atípicos, como a pandemia
da COVID-19. Os espaços domésticos, enquanto objeto de estudo, revelam-se
inter e transdisciplinares, particularmente em contextos de crise, como o da
pandemia, que modificou profundamente as relações cotidianas com o ambiente
doméstico. Durante a pandemia, o confinamento social imposto por razões
sanitárias transformou os usos e funções dos espaços, antes definidos como
exclusivamente íntimos e privados. Esses locais passaram a incorporar funções
públicas, como o trabalho, os estudos e o lazer. Assim, o que era reservado e
pessoal tornou-se exposto, principalmente através de interações virtuais em que
detalhes do espaço doméstico, como ruídos, desordem e aparências, ganharam
visibilidade e passaram a compor o cenário das relações sociais e profissionais.
Diante disso, a pesquisa buscou compreender como essas mudanças afetaram
as percepções dos espaços domésticos, tomando como estudo de caso os
moradores do Edifício Copan, em São Paulo. O objetivo foi investigar, de forma
interdisciplinar, se e como a percepção desses moradores foi alterada em função
das transformações impostas pela pandemia. Fundamentada na Psicologia do
espaço, que defende que o comportamento humano resulta da interação entre
pessoas e ambiente, a pesquisa analisou o impacto da convivência com a
materialidade arquitetônica e as dinâmicas emocionais em um cenário de
confinamento social. Realizada como uma pesquisa quali-quantitativa, o estudo
utilizou questionários que foram aplicados a moradores do Edifício Copan que
vivenciaram o período da pandemia em suas unidades habitacionais. Os
procedimentos incluíram também uma ampla revisão bibliográfica, apoiada em
autores como Delumeau (1989), Juhani Pallasmaa (2017, 2018, 2021), Carlos
Lemos (2012, 2014), Nestor Goulart Reis Filho (1972), Gaston Bachelard (1978)
e Steven Holl (2018). Esses referenciais teóricos sustentaram a análise das
percepções dos moradores sobre as alterações nos usos, funções e significados
dos espaços domésticos durante a pandemia. Os resultados confirmaram a
hipótese inicial: ocorreram mudanças tanto na materialidade arquitetônica
quanto na percepção dos moradores sobre o espaço doméstico. Essas
alterações englobaram novas formas de ocupação, usos multifuncionais e
ressignificação dos ambientes internos, evidenciando o impacto da pandemia na
relação dos indivíduos com seus lares. Apesar de se tratar de um recorte
populacional e habitacional específico, o estudo oferece subsídios importantes
para compreender as dinâmicas entre arquitetura, cultura e percepção em
contextos de crise.
Descrição
Palavras-chave
espaços domésticos , arquitetura , COVID-19 , percepção , São Paulo , Copan