Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/19132
Tipo do documento: Tese
Título: De matéria a afeto: a construção do significado da joia
Autor: Passos, Ana Cristina Barral Mariani
Primeiro orientador: Araujo, Paulo Roberto Monteiro de
Primeiro membro da banca: Grinfeld, Fanny Feigenson
Segundo membro da banca: Rizolli, Marcos
Terceiro membro da banca: Merlo, Márcia
Quarto membro da banca: Cunha, Marcelo Nascimento Bernardo da
Resumo: Esta tese tem como objetivo compreender o significado da joia e como ele é construído na contemporaneidade. Procurou-se entender a relevância da joia como objeto cultural hoje e apresentar algumas especificidades que levam a seu significado no contexto da joalheria no Brasil. Trata-se de um caleidoscópio de pequenos fragmentos a partir do ponto de vista de quem se encontra em cada um dos momentos do ciclo de vida de uma joia, especialmente naqueles em que ela parece receber maior carga de significados. Os interlocutores, divididos em criadores, guardiões e ressignificadores, apontam como acontece a transição de matéria a afeto. São pequenos tesouros revelados por meio de reminiscências, lembranças e narrativas de histórias profissionais e pessoais, individuais e coletivas, assim como de alguns silêncios que acompanham as joias. Desenho, criação, escolha, aquisição, uso, presente, doação, herança, guarda, coleção, cuidados e descarte de joias: todas essas interações as carregam de significados e também são permeadas por esses significados. O gesto de dispor joias sobre o corpo é ancestral, mas seus significados não são evidentes. Eles foram captados em uma pesquisa de inspiração etnográfica a partir do microcosmo do ateliê de joias da pesquisadora. Recorreu-se a entrevistas, arquivos do ateliê e questionário online disponibilizado em redes sociais, para identificar que a joia, portadora de afetos, pode nos tornar belos e desejáveis, únicos e especiais, protegidos e poderosos. Num mundo veloz e cada vez mais volátil, essas características parecem ser essenciais para nos definir como indivíduos. Identidade, memória e afeto estão em jogo. Num mundo de florescente economia criativa, um artefato cultural que guarda muito de antigas formas de fazer-pensar é novamente apreciado. Concluiu-se que na contemporaneidade, a joia se torna uma forma de ancoragem numa realidade que é mais virtual do que concreta, mais fugaz do que perene, mais isolada do que gregária. Seus significados são agrupados em três grandes categorias: o adorno da identidade, o arquivo da memória e o tesouro dos afetos. Este objeto de estudo exigiu uma abordagem interdisciplinar. Foram eleitos o antropólogo Tim Ingold (2015) e o filósofo Gilles Lipovetsky (2016) para delinear o percurso. O primeiro sugere entender as ‘coisas’ como uma malha de matéria e processos. O segundo oferece as ferramentas para entender a contemporaneidade. Autores de História Cultural, Cultura Material e Memória Social também foram referências importantes. As teóricas da joalheria, uma disciplina ainda em estado nascente, Marjan Unger (2017) e Liesbeth den Besten (2011) deram a bússola para percorrer esse universo. É da primeira a definição de joia que perpassa toda a tese: “Uma joia é um objeto distinto [do corpo] que é usado pelos seres humanos como um complemento decorativo e simbólico para sua aparência.”
Abstract: This thesis seeks to understand the meaning of jewellery and how it is built in contemporaneity. The aim is to understand its relevance as a cultural object today and to present some particularities leading to its meaning in the Brazilian context. It is a kaleidoscope of small fragments built from the point of view of those who are present at any given point of the jewelry’s life cycle, especially in those moments when it seems to receive a greater load of meaning. The interlocutors, divided into creators, guardians and resignifiers, point out how the transition from matter to affection happens. This study is composed from small treasures revealed through reminiscences, memories and narratives of professional and personal histories, individual and collective ones, as well as some silences which occasionally accompany the pieces of jewelry. Design, creation, choice, acquisition, use, gift, inheritance, guard, collection, care, and discard of jewelry: all these interactions charge them with meanings and are also permeated by those meanings. The gesture of having pieces of jewelry on the body is ancient, but their meanings are not evident. They were captured in an ethnographic-inspired research from the microcosm of the researcher’s jewelry studio. Interviews, the studio’s archives, and an online survey made available on social networks were instrumental to identify that jewelry, bearer of affections, can make us beautiful and desirable, unique and special, protected and powerful. In a fast and increasingly volatile world, these characteristics seem to be essential to define us as individuals. Identity, memory and affection are at stake. The conclusion is that in a world of flourishing creative economics, a cultural artifact that retains much of the old ways of making-thinking is once again appreciated. In contemporary times, jewelry becomes a form of anchorage in a reality that is more virtual than concrete, more fleeting than perennial, more isolated than gregarious. Their meanings are grouped into three broad categories: the adornment of identity, the file of memory, and the treasure of affections. This object of study required an interdisciplinary approach. The anthropologist Tim Ingold (2015) and the philosopher Gilles Lipovetsky (2016) were chosen to outline the course of the investigation. The first suggested understanding ‘things’ as a mesh of matter and processes. The second presented the tools to perceive the contemporaneity. Authors of Cultural History, Material Culture and Social Memory were also important references. Jewelry theorists – a discipline still in its early stages – Marjan Unger (2017) and Liesbeth den Besten (2011) have given the compass to navigate this universe. It is the first who offered the definition of jewelry that pervades the whole thesis: “A piece of jewelry is a discrete object that is worn by human beings as a decorative and symbolic complement to their appearance.”
Esta tesis tiene por objetivo comprender el significado de la joya y cómo éste es construido en la contemporaneidad. Procura entender la relevancia de la joya como objeto cultural hoy y presentar algunas especificidades que llevan a su significado en el contexto de la joyería en Brasil. Se trata de un caleidoscopio de pequeños fragmentos, desde el punto de vista de quien se encuentra en cada uno de los momentos del ciclo de vida de una joya, particularmente en aquellos en el que parece recibir mayor carga de significados. Los interlocutores, divididos en creadores, guardianes y re-significadores, describen como sucede la transición de materia a afecto. Son pequeños tesoros revelados por medio de reminiscencias, recuerdos y narrativas de historias profesionales y personales, individuales y colectivas, así como de algunos silencios que acompañan a las joyas. Dibujo, creación, elección, adquisición, uso, regalo, donación, herencia, guarda, colección, cuidado y descarte de joyas. Todas esas interacciones las cargan de significados y también están permeadas por esos significados. El gesto de disponer de joyas sobre el cuerpo es ancestral, pero sus significados no son evidentes. Estos fueron captados en una investigación de inspiración etnográfica, a partir del microcosmos del taller de joyas de la investigadora. Se recurrió a: entrevistas, archivos del taller y cuestionario online disponible en redes sociales; para identificar que la joya, portadora de afectos, puede hacernos: bellos y deseables, únicos y especiales, protegidos y poderosos. En un mundo veloz y cada vez más volátil, esas características parecen ser esenciales para definirse como individuos. La identidad, la memoria y el afecto están en juego. En un mundo de floreciente economía creativa, un artefacto cultural que guarda mucho de antiguas formas de hacer-pensar es nuevamente apreciado. La conclusión es que en la contemporaneidad, la joya se convierte en una forma de anclaje en una realidad que es más virtual que concreta, más fugaz que perenne, más aislada que gregaria. Sus significados se agrupan en tres grandes categorías: el adorno de la identidad, el archivo de la memoria y el tesoro de los afectos. Este objeto de estudio exigió un enfoque interdisciplinario. Se eligieron el antropólogo Tim Ingold (2015) y el filósofo Gilles Lipovetsky (2016) para delinear el recorrido. El primero sugiere entender las ‘cosas’ como un entretejido de materia y procesos. El segundo ofrece las herramientas para entender la contemporaneidad. Autores de historia cultural, cultura material y memoria social también fueron referencias importantes. Marjan Unger (2017) y Liesbeth den Besten (2011), teóricas de la joyería, una disciplina aún reciente, fueron la orientación para recorrer ese universo. Es de la primera autora, la definición de joya que atraviesa toda la tesis: “Una joya es un objeto distinto [del cuerpo] que es usado por los seres humanos como un complemento decorativo y simbólico para su apariencia.”
Cette thèse cherche à comprendre la signification du bijou et comment elle est construite dans la contemporanéité. L’objetif est de comprendre la pertinence du bijou en tant qu’objet culturel aujourd’hui et de présenter certaines spécificités qui ont conduit à sa signification dans le contexte de la bijouterie au Brésil. C’est un kaléidoscope de petits fragments du point de vue de ce qui est dans chacun des moments du cycle de vie du bijou, surtout dans ceux où il semble recevoir une plus grande charge de significations. Les interlocuteurs, divisée entre les créateurs, les gardiens et les resignifiants, indiquent comment se passe la transition de la matière à l’affection. Cette étude se compose de petits trésors révélés par des réminiscences, des souvenirs et des récits d’histoires professionnelles et personnelles, individuelles et collectives, ainsi que des quelques silences qui parfois accompagnent les bijoux. Dessin, création, choix, acquisition, utilisation, cadeau, donation, héritage, garde, collection, soin et défausse des bijoux: toutes ces interactions les portent des significations et sont également imprégnées de ces significations. Le geste de disposer des bijoux sur le corps est ancestral, mais leurs significations ne sont pas évidentes. Ils ont été observés dans une recherche d’inspiration ethnographique à partir du microcosme de l’atelier de joaillerie de la chercheuse. Comme méthodologie ont été utilisé des interviews, des archives de l’atelier et des questionnaires online, mis à disposition sur les réseaux sociaux, pour identifier qui les bijoux, porteurs d’affections, peuvent nous rendre beaux et désirables, uniques et spéciaux, protégés et puissants. Dans un monde rapide et de plus en plus volatil, ces caractéristiques semblent être essentielles pour nous définir en tant qu’individus. Identité, mémoire et affection sont en jeu. Dans un monde d’économie créative florissante, un artefact culturel qui conserve une grande partie des anciennes façons de faire-penser est de nouveau apprécié. À l’époque contemporaine, le bijou deviennent une forme d’ancrage dans une réalité plus virtuelle que le concret, plus éphémère que pérenne, plus isolée que grégaire. Leurs significations sont regroupées en trois grandes catégories: l’ornement de l’identité, le fichier de la mémoire et le trésor des affections. Cet objet d’étude nécessitait une approche interdisciplinaire. L’anthropologue Tim Ingold (2015) et le philosophe Gilles Lipovestiky (2016) ont été choisis pour tracer le parcours. Le premier suggère de comprendre les ‘choses’ comme un maillage de matière et de processus. Le second offre les outils pour comprendre la contemporanéité. Les auteurs de l’histoire culturelle, culture matérielle et de la mémoire sociale étaient également des références importantes. Les théoriciens de la joaillerie, une discipline encore à l’état naissant, Marjan Unger (2017) et Liesbeth den Besten (2011) ont donné la boussole pour parcourir cet univers. C’est de la première la définition de bijou qui traverse toute la thèse : “Un bijou est un objet distinct [du corps] qui est utilisé par les humains comme un complément décoratif et symbolique à leur apparence.”
Palavras-chave: joia;  joalheria;  significado da joia;  identidade, memória e afeto;  história da joalheria
Área(s) do CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::ARTES
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Sigla da instituição: UPM
Departamento: Centro de Educação, Filosofia e Teologia (CEFT)
Programa: Educação, Arte e História da Cultura
Citação: PASSOS, Ana Cristina Barral Mariani. De matéria a afeto: a construção do significado da joia. 2018. 231 f. Tese (Educação, Arte e História da Cultura) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/3722
http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/19132
Data de defesa: 7-Ago-2018
metadata.dc.bitstream.url: http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/3722/10/Ana%20Cristina%20Barral%20Mariani%20Passos.pdf
Aparece nas coleções:Educação, Arte e História da Cultura - Teses - CEFT Higienópolis

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