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Tipo do documento: Tese
Título: Canto de intervenção em Portugal: "o povo é quem mais ordena”
Autor: Arruda, Ludmila Jones
Primeiro orientador: Brito, Regina Helena Pires de
Primeiro coorientador: Franco, José Eduardo
Primeiro membro da banca: Bastos, Neusa Maria Oliveira Barbosa
Segundo membro da banca: Bridi, Marlise Vaz
Terceiro membro da banca: Martin, Vima Lia de Rossi
Quarto membro da banca: Bueno, Alexandre Marcelo
Resumo: Entre 1933 e 1974, o Estado Novo, regime opressor e autoritário iniciado com António de Oliveira Salazar, trouxe consequências desastrosas para Portugal, agravadas com o início da Guerra Colonial em 1961. Essa situação acarretou inúmeros protestos, desde reuniões, encontros acadêmicos, grupos ativistas, produções literárias até canções de intervenção que denunciavam a política e revelavam a luta, a insatisfação e o descontentamento popular – aspectos de destaque na presente pesquisa. Inserido no âmbito dos Estudos Lusófonos, o presente estudo propõe investigar elementos linguístico e poéticos presentes em canções de intervenção portuguesa compostas no período pré e pós Revolução dos Cravos. Recorre-se, para tratar dos aspectos históricos do Estado Novo, em especial sobre a atuação do governo e as ações da polícia que reprimiram a circulação de obras e a difusão de canções contrárias ao ideário salazarista, aos estudos de Meneses (2011), Rosas (2013) e Pimentel (2007, 2011). Para a seleção das canções que compõem o corpus analisado, procedeu-se a uma série de entrevistas com ativistas que reagiram às imposições da censura naquela época: os cantores José Letria – hoje escritor e jornalista – Sérgio Godinho e Francisco Fanhais e os acadêmicos Fernando Rosas, António Borges Coelho e Pedro Calafate, que contribuíram com informações e indicações de canções que significativas no período final do Estado Novo. Neste aspecto, lidando com a questão da memória, foi importante o aporte teórico de Halbwachs (2013), Le Goff (1996), Traverso (2009). Para a escolha das sete canções - Grândola Vila Morena, Menina dos Olhos Tristes, Vampiros, O Menino do Bairro Negro, de Zeca Afonso, e Cantar da Emigração e Trova do Vento que Passa, de Adriano Correia de Oliveira, e por fim, Liberdade, de Sérgio Godinho - considerou-se, também, o sucesso da canção, mensurado pela ação da censura e pela popularidade alcançada por cantores como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira. No esteio de alguns pesquisadores como Raposo (2000) e Letria (1999, 2013) para a parte analítica, foi possível traçar elementos reveladores da importância das canções resgatadas para a (re)construção identitária dos portugueses. Além disso, possibilitou perceber como as mensagens permanecem latentes na sociedade portuguesa nos dias atuais – como se pôde verificar com as manifestações da recente crise econômica europeia, quando algumas dessas canções voltaram a ser entoadas, revestidas de novo valor simbólico, mas resgatando o tom de denúncia e protesto, tendo seu conteúdo ressemantizado e atualizado.
Abstract: Between 1933-1974, Estado Novo (New Estate), na authoritarian and opressive regime ocurred in Portugal under the government of António de Oliveira Salazar, brought huge impacts in Portugal, worsened by the beginning of the Colonial War in 1961. This situation led to a number of protests, gatherings, academic groups, ativists, literary productions and revolutionary songs which denounced the politics and revealed the fight, the dissatisfaction and the popular discontentment – being the core of this research. Inside Lusophone studies, the present paper aims to investigate the poetic and linguistic discursive elements present in Portuguese intervention songs composed before and after the Carnation Revolution (1974). The historic aspects of the Estado Novo is – mainly – based on the studies of Meneses (2011), Rosas (2013) and Pimentel (2007, 2011) specially on how the government used to act through censorship, which stopped the spread of protest songs and the diffusion of ideas which were against Salazar’s ideology. In order to select the songs for the analysis, six people were interviewed, amongst ativists and singers who imposed against the censorship: the singers are José Jorge Letria, Francisco Fanhais and Sérgio Godinho; along with academics Fernando Rosas, Pedro Calafate and António Borges Coelho – who contributed by giving important information and pointing songs which were significant in that period. In this aspect, in order to deal with memory, the theories of Halbwachs (2013), Le Goff (1996) and Traverso (2009) were relevant. The seven songs, Grândola Vila Morena, Menina dos Olhos Tristes, Vampiros, O Menino do Bairro Negro, sung by Zeca Afonso, Cantar da Emigração and Trova do Vento que Passa, by Adriano Correia de Oliveira, and finally Liberdade, by Sérgio Godinho - were also chosen considering the popularity the songs gained during the period, due to the action of the censorship. Based on Raposo (2000) and Letria (1999, 2013) to help the analysis, it was possible to outline elements which proved that those songs were important for the identity re(construction). Also, it is important to mention that such songs remain latent in the present, specially after the last European crisis when several of those songs were chanted again, covered by a new symbolic value, but rescueing the revolutionary characteristics present in their contents.
Palavras-chave: lusofonia;  canto de intervenção;  revolução dos cravos
Área(s) do CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LINGUISTICA
CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Sigla da instituição: UPM
Departamento: Centro de Comunicação e Letras (CCL)
Programa: Letras
Citação: ARRUDA, Ludmila Jones. Canto de intervenção em Portugal: "o povo é quem mais ordena”. 2016. 204 f. Tese (Letras) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/3034
http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/18185
Data de defesa: 12-Ago-2016
metadata.dc.bitstream.url: http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/3034/5/Ludmila%20Jones%20Arruda.pdf
Aparece nas coleções:Letras - Teses - CCL Higienópolis

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