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Tipo do documento: Tese
Título: Memória e identidade na poética de Manoel de Barros
Autor: Yamamoto, Cícera Rosa Segredo
Primeiro orientador: Bridi, Marlise Vaz
Primeiro membro da banca: Trevisan, Ana Lúcia
Segundo membro da banca: Amaral, Gloria Carneiro do
Terceiro membro da banca: Grácia-Rodrigues, Kelcilene
Quarto membro da banca: Peixoto, Maria Helena Fioravante
Resumo: Manoel de Barros é poeta e, como se autodefine, “poeta da palavra”, cujos poemas guardam íntima relação com o Pantanal (sul-)mato-grossense, pondo à mostra a estreita relação entre a obra e o contexto. Procuramos responder, ao longo da tese, a três questões: se a “inspiração poética” de Manoel de Barros transcende sua experiência pessoal nos seus livros, ou se o lugar e o tempo de onde se pronuncia são tão presentes nas obras que acabam por inscrever nelas traços de autobiografia; se os traços que constituem o fazer poético do escritor podem (ou não) identificar em suas obras um poeta “do local”, ou uma poética universalizante; como o escritor mato-grossense, cronologicamente inscrito na “geração de 45”, articula tradição e inovação em sua construção poética. Ratificando ou desconstruindo “verdades” publicadas sobre a poética do autor e buscando novos construtos e efeitos estéticos nessa produção literária, temos como objetivos específicos: identificar regularidades e dispersões na forma e conteúdo dos poemas; discutir a relação entre local e universal, entre tradição e modernidade, entre memória e invenção e entre os eus/outros que convivem nas obras; buscar traços identificadores da poética do escritor. Para tanto, elegemos como corpus da pesquisa duas obras de Manoel de Barros: Poemas concebidos sem pecado (1937), primeiro livro do escritor, e Memórias inventadas: terceira infância (2008), procurando fazer uma ponte entre o primeiro e um dos últimos livros do poeta. O cumprimento dos objetivos propostos requer, no entanto, além de “enfrentar” a obra, munir-se de uma fundamentação teórica. Assim, valemonos de Candido (2000) para tratar da questão da dialética do local e do universal na descolonização literária, bem como da relação autor-obra-público. Para esclarecer conceitos ou princípios “técnicos” essenciais à análise, como tradição, influência e intertextualidade, recorremos a Nitrini (2000), a quem agregamos Bakhtin (2011), sobretudo para tratarmos de estilo, estética e exotopia, e Paz (1972; 1991). Para a compreensão do conceito de identidade, o apoio veio de Hall (2011) e de outros autores convocados para as reflexões sobre identidade e memória, como Gusdorf (1951, 1990, 1991), Bergson (2006), Halbwachs (2003), Ricoeur (2007) e Candau (2014). A esses autores de referência, alguns outros emergem oportunamente, porque indispensáveis à leitura da poesia de Manoel de Barros. Verificamos que Barros excluía de sua poesia qualquer propósito de descrever paisagens ou historiar costumes, pondo à mostra o diálogo, a aproximação e o distanciamento entre os eus, os tempos e os espaços. Barros atribuía seu lirismo a “um ermo dentro do olho” e, para expressálo, adotou um formato aparentemente autobiográfico, apenas como recurso de invenção, pois cantou “o que não fora”, mas do que tinha saudade “por não ter sido”, revelando-nos a exotopia de que fala Bakhtin (2011). De nossa leitura, ficou a memória não como representação, mas como "olho divinatório", em tom e versos inconfundíveis de Manoel de Barros.
Abstract: Manoel de Barros is a poet and as defines itself, "word of poet", whose poems are closely related to the Pantanal (South) of Mato Grosso, putting on display the close relationship between the work and the context. We search to answer along the thesis, three questions: if the "poetic inspiration" by Manoel de Barros transcends his personal experience in his books, or the place and time where pronounced are so present in the works that ultimately enroll them autobiography traces; if the traits that make up the poetic writer can do (or not) identify in their works a poet "local" or a universalizing poetic; such as (South) Mato Grosso writer, chronologically enrolled in the "45 generation" articulates tradition and innovation in his poetic construction. Confirming or deconstructing "truths" published on the poetics of the author and searching new constructs and aesthetic effects that literary production, we have the following objectives: identify regularities and dispersions in the form and content of the poems; discuss the relationship between local and universal, between tradition and modernity, between memory and invention and among selves / others who live in the works; search identifying traits of poetic writer. To this end, we elected as corpus of research two works of Manoel de Barros: Poemas concebidos sem pecados (1937), the first book of the writer, and Memórias inventadas: A terceira infância (2008), searching to bridge the gap between the first and one of the last books the poet. Compliance with the proposed objectives requires, however, in addition to "face" the work, to provide himself with a theoretical foundation. Thus, we use of Candido (2000) to treat the issue of the location of the dialectic and universal literary decolonization, as well as the relationship of author-work-public. To clarify concepts or principles "technical" essential to the analysis, such as "tradition," "influence" and "intertextuality", we called to Nitrini (2000), to whom we add Bakhtin (2011), mainly to treat style, aesthetics and exotopy, and Paz (1972; 1991). For understanding the concept of identity, the support came from Hall (2011) and other invited authors to the reflections on identity and memory, as Gusdorf (1951, 1990, 1991), Bergson (2006), Halbwachs (2003), Ricoeur (2007) and Candau (2014). In addition to these authors, some others will emerge in due course, because indispensable to poetry reading Manoel de Barros. We found that Barros excluded from his poetry any purpose of describing landscapes or historicizing costumes, putting on display the dialogue, rapprochement and the gap between the selves, times and spaces. Barros attributed his lyricism to "a desert in the eye" and to express it, took a seemingly autobiographical format, just like the invention feature because sang "what was not," but what had missing "for not having been "revealing us exotopy spoken by Bakhtin (2011). From our reading, the memory was not as "representation" but as "eye divination" in tone and unmistakable verses of Manoel de Barros.
Palavras-chave: ars poetica;  discurso poético;  exotopia
Área(s) do CNPq: CNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Sigla da instituição: UPM
Departamento: Centro de Comunicação e Letras (CCL)
Programa: Letras
Citação: YAMAMOTO, Cícera Rosa Segredo. Memória e identidade na poética de Manoel de Barros. 2016.173 f. Tese (Letras) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
Endereço da licença: http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/
URI: http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/3054
http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/18171
Data de defesa: 31-Mar-2016
metadata.dc.bitstream.url: http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/3054/5/C%C3%ADcera%20Rosa%20Segredo%20Yamamoto.pdf
Aparece nas coleções:Letras - Teses - CCL Higienópolis

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