Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/13463
Tipo do documento: Tese
Título: O guarda cultura Franklin Joaquim Cascaes: o outsider/estabelecido
Autor: Meira, Denise Araujo
Primeiro orientador: Feijó, Martin Cezar
Primeiro membro da banca: Ambrogi, Ingrid Hötte
Segundo membro da banca: Stori, Norberto
Terceiro membro da banca: Simioni, Ana Paula Cavalcanti
Quarto membro da banca: Sielski, Isabela Mendes
Resumo: Partindo do pressuposto que ao tratar de Franklin Cascaes os pesquisadores que estudam a sua obra e vida, dissociam o artista do professor, foi eleita a trajetória do professor/artista como objeto de análise, sobretudo porque ela possibilitaria uma trajetória praticamente inexplorada nos trabalhos acadêmicos, sobretudo do ponto de vista de um professor/artista que não teve uma formação escolar tradicional. Objetivou-se, assim, mostrar que existe um Franklin anterior e um posterior as narrativas autobiográficas em que o mesmo busca representar-se como um sujeito outsider. Para isso, estudos acadêmicos, fragmentos autobiográficos, escritas do cotidiano escolar, correspondências enviadas a jornalistas e políticos, entrevistas, fotografias, revistas, bem como os desenhos, esculturas e contos por ele produzidos, foram tomados como documentos-monumento fornecendo indícios de quem foi Franklin Joaquim Cascaes. Parte-se do princípio comum aos estudos Elisianos sobre a relação indivíduo/sociedade, em especial o caso de Mozart, em que Norbert Elias estudando um indivíduo, espreita as formas de relações possíveis, buscando compreendê-lo dentro dos limites e das possiblidades do seu tempo. Os conceitos de outsiders e estabelecidos foram fundamentais na análise da trajetória de Franklin, na abordagem que o acolhe como um professor/artista desviante. O trabalho esta dividido em três partes, objetivando responder a seguinte questão: como as tensões sociais se operam em trajetórias individuais. Na primeira parte que compreende a trajetória de Franklin até 1948, analiso as diferentes experiências do personagem procurando identificar alguns fatores que contribuíram para a construção da sua missão: guardar a cultura dos moradores da Ilha de Santa Catarina. No segundo momento, busco compreender os limites e as possibilidades para a realização do seu projeto, levando em consideração as determinações do meio sobre a sua trajetória. Além disso, busco entender as estratégias utilizadas para Franklin fazer frente às normas e condutas que lhe foram impostas no espaço da Escola Industrial como docente e, na cidade de Florianópolis, como artista. Na última parte, problematizo de que forma foi possível a guarda da obra do professor/artista pelo Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues Cabral. Problematizo, também, a criação de outros lugares de memória. Nos dois casos busco identificar as estratégias utilizadas para reconhecer a sua importância como artista catarinense. Se a condição de estabelecido/outsider ilumina relações de poder de uma dimensão social definida por valores como reconhecimento, pertencimento e exclusão, então, o professor e artista Franklin Cascaes, nos anos 70, passa a partilhar espaços antes só destinados aos portadores de uma formação acadêmica ou de uma condição social privilegiada, os estabelecidos. É no quadro social e político local, daqueles anos, que a identidade açoriana torna-se uma estratégia para a "invenção de uma cidade" que desejava se fazer turística. Em 1977, a pesquisadora e crítica de arte paranaense Adalice Maria de Araujo, na tese "Franklin Cascaes, o Mito Vivo da Ilha: mito e magia na arte catarinense", transforma o artista no grande bruxo da Ilha de Santa Catarina. Franklin, ocupando com frequência as páginas dos jornais, especialmente o Jornal O Estado, principal periódico local e; contando com o apoio dos alunos da "Industrial" na Prefeitura e na UFSC, consegue a guarda da sua obra pelo Museu de Arqueologia e Etnologia Oswaldo Rodrigues Cabral. É neste contexto, que Franklin passa da condição de outsider à de outsider/estabelecido, embora nos anos seguintes, nas diferentes narrativas autobiográficas ele não se perceba como tal.
Abstract: Taking into account that researchers who study Franklin Cascaes work and life dissociate the artist from the professor, I have chosen his life trajectory, as an artist and as a professor, the object of analysis. The importance of such choice lies on the fact that his work as an artist/professor is almost unexplored in the academic literature, especially, from the point of view of his lack of traditional formal education. So, the aim was to show that there was a Franklin before and after his own autobiographical narratives, where he portrays himself as an outsider. Thus, the research was carried out through the examination of his academic works, autobiographical fragments, notes on his academic daily life, letters sent to journalists and politicians, interviews, photos, magazines, as well as his drawings, sculptures, and stories. All of these documents have provided hints of who Franklin Joaquim Cascaes was. This thesis departs from the common principle of the Elisian studies about the relationship between the individual and the society (especially in the case of Mozart, which prompted Nobert Elias to observe the possible forms of relationship, while studying the man), in order to understand Franklin Cascaes within the limits and possibilities of his own time. The opposition between the concepts of outsider and established were crucial in the analysis of Franklin s trajectory. These concepts are seen within an approach that embraces him as a deviant artist and professor. Thus, this work is divided into three sections, which one aiming at answering the following working question: how social tensions work on individual trajectories? In the first section, that covers Franklin s trajectory up to 1948, I analyses different factors in the experience of the man that have contributed to the construction of his mission: to keep up the culture of the inhabitants of the Isle of Santa Catarina. In the second section I try to understand the limits and the possibilities for him to carry out his project, taking 10 into consideration the determinants from the environment over his trajectory. Furthermore, I try to understand the strategies used by Franklin to face the rules and the attitudes that were imposed on him in the Escola Industrial as a professor and as an artist in the city of Florianópolis. In the last part I question how it was possible for the Museum Oswaldo Rodrigues Cabral of Archeology and Ethnology to keep up with Franklin s work of art. I also analyses the creation of other places devotes to his memory. In both cases, I have identified the strategies used for the recognition of the importance of Franklin as a catarinense artist. If the condition of established/outsider illuminates the power relations of a social dimension, defined by values, such as recognition, belonging, and exclusion, in the 1970s Franklin Cascaes begins to participate of spaces in the past open only to those who had an academic degree or a privileged social condition, the established. It is in the local political and social context of those years that the açoriana identity turned into a strategy for the invention of a city , which desired to become a tourist site. In 1977, the researcher and paranaense arts critic, Adalice Maria de Araujo, in her thesis Franklin Cascaes, The Myth of an Island: myth and magic , turned the artist in the big wizard of the island of Santa Catarina. Franklin, appearing frequently at the pages newspapers, especially, the O Jornal, the main local paper, and with the help from the students of the Industrial at the town hall and at the Federal University of Santa Catarina (UFSC), was able to secure the keep up of his works by the Museum Oswaldo Rodrigues Cabral. It is in this atmosphere that Franklin goes from the condition of an outsider to the established one, although, in the following years, in different autobiographic narratives, he had never seen himself as such.
Palavras-chave: Franklin Cascaes;  trajetória;  professor/artista;  outsider/estabelecido;  Franklin Cascaes;  trajectory;  professor/artist;  outsider/established
Área(s) do CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
Idioma: por
País: BR
Instituição: Universidade Presbiteriana Mackenzie
Sigla da instituição: UPM
Departamento: Educação, Arte e História
Programa: Educação, Arte e História da Cultura
Citação: MEIRA, Denise Araujo. O guarda cultura Franklin Joaquim Cascaes: o outsider/estabelecido. 2013. 148 f. Tese (Doutorado em Educação, Arte e História) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2013.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/2072
http://dspace.mackenzie.br/handle/10899/13463
Data de defesa: 26-Ago-2013
metadata.dc.bitstream.url: http://tede.mackenzie.br/jspui/bitstream/tede/2072/1/Denise%20Araujo%20Meira.pdf
Aparece nas coleções:Educação, Arte e História da Cultura - Teses - CEFT Higienópolis

Arquivos associados a este item:
Não existem arquivos associados a este item.


Este arquivo é protegido por direitos autorais



Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.